A comunicação é uma peça-chave em qualquer ambiente organizacional. Saber expressar necessidades e estabelecer limites de forma clara e respeitosa pode parecer simples, mas, na prática, ainda é um desafio para muitas equipes e lideranças. Foi justamente esse o ponto de partida do estudo conduzido por Alessandra de Fátima Canuto, Mestre em Psicologia Organizacional pela MUST University, em parceria com o Dr. Bruno Stramandinoli Moreno, professor dos programas de Mestrado da instituição.
Publicado na MUST Reviews (volume XV), o trabalho propõe uma reflexão profunda sobre como melhorar a comunicação dentro das empresas, especialmente quando se trata de expressar necessidades e impor limites — dois aspectos fundamentais para a saúde das relações profissionais e a produtividade coletiva.
Como a pesquisa foi feita
O estudo seguiu uma abordagem qualitativa mista, combinando revisão narrativa da literatura com entrevistas empíricas realizadas com profissionais em cargos de liderança. Participaram da pesquisa gestoras de diferentes setores, como indústria alimentícia, finanças e desenvolvimento humano, garantindo diversidade de perspectivas e experiências.
As entrevistas giraram em torno de quatro perguntas principais:
- O que significa, na prática, ter uma comunicação efetiva de necessidades e limites?
- Quais fatores mais impactam esse tipo de comunicação?
- Quais são os principais desafios enfrentados?
- O que pode ser feito para melhorar esse processo?
As cinco grandes descobertas
A análise das respostas revelou cinco grandes temas que influenciam diretamente a comunicação nas organizações:
- Referências – A bagagem pessoal e profissional de cada indivíduo interfere na forma como ele se comunica e percebe o outro.
- Cultura – O ambiente organizacional, seus valores e regras não ditas moldam o que é permitido ou evitado em termos de diálogo.
- Emoções – Medo, insegurança e receio de julgamento ainda são barreiras comuns que dificultam o ato de comunicar necessidades e estabelecer limites.
- Responsabilidades – A clareza sobre os papéis e deveres dentro das equipes facilita diálogos mais objetivos e produtivos.
- Resultados – Quando há uma comunicação mais saudável, os efeitos aparecem diretamente nos resultados, com times mais alinhados e ambientes menos conflituosos.
Sentir, refletir, compreender e expressar
Um dos principais achados do estudo foi a importância de líderes e equipes atuarem de maneira integrada em quatro dimensões: Sentir, Refletir, Compreender e Expressar. Isso significa olhar para as emoções envolvidas, analisar contextos, entender as necessidades do outro e, só então, se comunicar de forma clara e assertiva.
Essa abordagem, além de fortalecer os relacionamentos internos, promove a diversidade, o respeito às diferenças e a autonomia dos profissionais. É uma forma de transformar a comunicação em uma ponte para ambientes mais saudáveis, colaborativos e eficientes.
Um convite à prática e à continuidade
Mais do que apontar problemas, o estudo oferece caminhos e propõe uma agenda futura de pesquisas que possam testar e aplicar, na prática, as estratégias identificadas. O objetivo é fomentar mudanças reais nas dinâmicas organizacionais e contribuir para empresas mais humanas e sustentáveis.
O estudo completo está disponível na MUST Reviews, volume XV, e pode ser conferido na íntegra da página 7 à 27.
Sobre os autores:
Alessandra de Fátima Canuto: Mestre em Psicologia Organizacional pela MUST University, é graduada em Educação Física e possui especializações em Dinâmica de Grupos, Constelações Organizacionais, Constelação aplicada ao Coaching e Gestão Comercial. Atua com foco no desenvolvimento humano e na construção de ambientes organizacionais mais saudáveis e colaborativos.
Bruno Stramandinoli Moreno: Doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias, é psicólogo e professor dos Programas de Mestrado em Psicologia Organizacional e Administração na MUST University. Atua na formação de líderes e profissionais com foco em desenvolvimento humano, comportamento organizacional e inovação em gestão.


