Pensar diferente para avançar é uma reflexão necessária em tempos de polarização
Resenha sobre artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em fevereiro de 2026

Por Profa. Dra. Maria Elisa Carbonari – MUST University
A matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, na editoria Cultura e Comportamento, traz uma entrevista instigante com o cientista brasileiro Marcelo Gleiser, conduzida pela jornalista Alice Ferraz, por ocasião do lançamento de seu livro Mentes brilhantes não pensam igual.
Ao longo do texto, o leitor é convidado a refletir sobre temas urgentes da contemporaneidade, como a polarização de ideias, a dificuldade de diálogo e a importância da diversidade de pensamento para o avanço humano, científico e social.
A reportagem se apoia na metáfora “Uma ilha no meio das bolhas” para ilustrar um fenômeno cada vez mais comum: o isolamento intelectual provocado por ambientes, especialmente digitais, onde pessoas se cercam apenas de opiniões semelhantes às suas. Segundo Gleiser, essa tendência de buscar validação em grupos homogêneos limita o pensamento crítico, enfraquece o diálogo e empobrece a construção do conhecimento. Para ele, é justamente no encontro com o diferente que surgem novas ideias e possibilidades de avanço.
Um dos pontos centrais da entrevista reforça o argumento que dá título ao livro: mentes brilhantes não são aquelas que pensam igual, mas as que conseguem transitar entre diferentes perspectivas. A criatividade, nesse sentido, nasce do confronto respeitoso entre visões distintas, e não da repetição de consensos. Essa reflexão ganha especial relevância quando aplicada não apenas à ciência, mas também às organizações, à educação e à vida em sociedade.
Outro aspecto importante abordado na matéria é o desafio da construção da confiança em um cenário marcado pela desinformação e pelo descrédito nas instituições. Gleiser destaca que confiar não é um ato automático, mas um processo que se constrói na relação com o outro, por meio da escuta, do diálogo e do reconhecimento da legitimidade de opiniões divergentes. Mesmo sem concordar, é possível – e necessário – reconhecer o valor da diferença.
A entrevista também traz uma defesa clara do pensamento científico como uma prática aberta, dinâmica e não dogmática. Ao contrário de verdades absolutas, a ciência avança justamente porque admite o erro, a revisão e o questionamento constante. Para o autor, essa postura deveria inspirar também os debates sociais e políticos, favorecendo discussões mais maduras e menos polarizadas.
Sob a perspectiva educacional e formativa, a obra de Gleiser, refletida na entrevista, aponta para um desafio essencial: formar pessoas capazes de lidar com a complexidade do mundo atual, argumentar com respeito, sustentar ideias com fundamento e, ao mesmo tempo, permanecer abertas ao contraditório. Trata-se de uma habilidade cada vez mais necessária em um contexto de rápidas transformações e múltiplas visões de mundo.


