O novo ensino à distância

Resenha sobre o artigo do autor Simon Schwartzman, publicado em 13 de junho de 2025 no blog: https://www.schwartzman.org.br/sitesimon/o-novo-ensino-a-distancia/

Por Profa. Dra. Elisa Carbonari – MUST University – Julho, 2025

No artigo “O novo ensino à distância”, publicado em junho de 2025, o sociólogo e pesquisador Simon Schwartzman apresenta uma análise provocadora e relevante sobre as novas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) para o ensino superior a distância no Brasil. Em um contexto de mudanças regulatórias profundas, o autor questiona os caminhos escolhidos pelo Estado para garantir qualidade educacional, e levanta o debate sobre os limites entre controle e inovação.

A partir de dados concretos, Schwartzman destaca a impressionante expansão do ensino a distância na última década, especialmente após 2015. O avanço da modalidade, que passou a responder por quase metade das matrículas em 2023, é atribuído não apenas aos custos mais acessíveis para as instituições, mas principalmente à possibilidade de inclusão de estudantes que, geograficamente ou financeiramente, estariam excluídos do ensino superior tradicional.

Entretanto, as novas regras do MEC, ao estabelecer categorias rígidas de cursos (presenciais, semipresenciais e a distância), e ao restringir a oferta de EaD para áreas como saúde e formação de professores, podem frear esse processo de democratização. O autor projeta, com base nos dados apresentados, que o número de estudantes na modalidade EaD pode cair de 4,9 milhões para 2,8 milhões até 2026. Tal retração representaria não apenas uma ameaça à sustentabilidade financeira de muitas instituições, mas também um retrocesso no acesso de camadas mais vulneráveis da população ao ensino superior.

O ponto mais crítico da análise recai sobre o modelo de regulação adotado. Para Schwartzman, o Brasil insiste em um controle excessivamente burocrático, baseado em formatos, tempos e currículos, ao invés de focar nos resultados concretos da aprendizagem. O autor propõe que o país adote um modelo mais moderno e eficiente, com avaliações independentes e certificações externas, como acontece no exame da OAB, por exemplo. Nessa lógica, o papel do Estado seria menos o de gestor do processo e mais o de garantidor da qualidade final.

Outro aspecto importante do artigo é a desconstrução da ideia de que a modalidade presencial é, por si só, sinônimo de qualidade. Schwartzman argumenta que bons resultados educacionais estão ligados à formação dos professores, à estrutura curricular e à capacidade da instituição de acompanhar o aluno, independentemente do canal utilizado para o ensino. Ele defende que, em muitos casos, o uso inteligente da tecnologia pode ser mais eficaz do que o modelo presencial tradicional.

Como educadora e gestora de uma instituição que atua exclusivamente no modelo online, vejo na análise de Schwartzman um respaldo conceitual e estratégico para o trabalho que realizamos na MUST University. Nosso compromisso com a qualidade é traduzido não apenas por meio da tecnologia de ponta e de metodologias ativas de aprendizagem, mas, sobretudo, pelos resultados concretos de nossos estudantes — verificados nas avaliações internas e nos altos índices de satisfação.

A proposta de substituição do controle burocrático por um sistema de avaliação baseado em desempenho converge com a nossa filosofia institucional: oferecer uma educação acessível, inovadora e centrada no aluno. Em tempos de transformações regulatórias, é essencial que as universidades estejam preparadas para responder com agilidade e criatividade, investindo em governança robusta, formação continuada dos docentes e construção de uma cultura organizacional resiliente.

O artigo de Schwartzman é, portanto, mais do que uma crítica às diretrizes do MEC — é um chamado à reflexão sobre o futuro da educação superior no Brasil. Seu texto convida gestores, formuladores de políticas públicas e educadores a repensarem os critérios que definem qualidade e a reconhecerem o potencial transformador do ensino à distância quando aplicado com seriedade, ciência e compromisso social.

Referências: 

VERHINE, R. E.; DANTAS, L. V. Programas de pós-graduação a distância: perspectivas da experiência internacional. Educação & Sociedade, v. 45, p. 1-18, 2024. 

VERHINE, R.E.; SIQUEIRA, V.B. Pós-graduação e educação a distância. Jornal de Políticas Educacionais, v. 18, p. 1-19, 2024. 

Profa. Dra. Elisa Carbonari, vice-presidente da MUST University  – FL – USA

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